RUI ROSADO VIEIRA
ISBN: 9789895665679
Editora: COLIBRI
Ano/Mês: 2025/12
N.º de Páginas: 282
A tragédia que atingiu Portugal entre 1817 e 1834, em particular as largas dezenas de concidadãos enforcados ou fuzilados, as centenas de indivíduos indefesos chacinados e os milhares de estropiados ou mortos em combate, não foram, como se poderia supor, cometidos por um exército estrangeiro que invadiu o território português com o objetivo de o tomar e anexar. Foi antes o resultado de um confronto fratricida, de proporções inimagináveis, provocado por uma campanha de apelo ao ódio entre portugueses, veiculada pela imprensa e ampliada por alguns pastores da Igreja, que conduziu a violências extremas e ao total desprezo pela vida de seus semelhantes. A condenação desses dolorosos acontecimentos chega-nos através de dois conhecidos homens de letras, participantes na guerra civil ao serviço do exército liberal: Alexandre Herculano e Almeida Garrett. Alexandre Herculano, referindo-se ao que numa noite de Verão de 1832, no final de um combate, permanecia no território circundante, dizia-nos que cheirava a sangue, sangue de irmãos derramado por irmãos no seio da pátria comum (...). Os vivos dormiam tranquilamente ao lado dos mortos no campo de batalha (...) na pior das guerras - a guerra entre homens que muitas vezes oraram no mesmo templo, na mesma língua e ao mesmo Deus. Almeida Garrett, findo o conflito, em 1843, afirmava: Toda a guerra civil é triste. E é difícil dizer para quem mais triste, se para o vencedor ou para o vencido. Ponham de parte questões individuais e examinem de boa fé. Verá que, na totalidade de cada fracção em que a nação se dividiu, os ganhos, se os houver, para quem venceu, não balançam os padecimentos, os sacrifícios do passado e, menos que tudo, a responsabilidade pelo futuro.
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